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Para “consertar” pessoas sem prejudicar o planeta?

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Ortese em bioplástico da healthtech Fix it

彩民彩票平台Por Rosenildo Ferreira

 

Nos últimos anos, os eventos envolvendo startups se multiplicaram pelo Brasil. Especialmente fora do eixo Rio-S?o Paulo. O saldo de muitos deles, no entanto, tem se resumido à troca de cart?es e às promessas n?o cumpridas de novos contatos com desenvolvedores, potenciais clientes e até financiadores. Mas existem honrosas exce??es. No final de novembro de 2015, o jovem biomédico e empreendedor Hebert Costa resolveu usar o Startup Weekend para apresentar algumas ideias na área de impress?o 3D, negócio que tocava em paralelo com o emprego na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A aposta se mostrou acertada. Mais do que uma vitrine, o evento ajudou a dar uma guinada de 180 graus em sua vida e em sua carreira. “Foi lá que conheci meu sócio Felipe Neves que me ajudou a colocar de pé a Fix it, que conquistou o primeiro lugar na disputa”, conta Hebert. A empresa é uma healthtech que desenha e produz órteses feitas sob medida para o tratamento de les?es ortopédicas, reumatológicas ou neurológicas.

彩民彩票平台De fato, a trajetória empreendedora desse potiguar de 32 anos se desenvolveu de forma meteórica a partir deste evento. Desde ent?o, a dupla já participou, e fez bonito, em desafios regionais, nacionais e até internacionais, como o Global Startup Battle, onde ficou na 12a posi??o. Tamanho reconhecimento acabou credenciando a Fix it para participar de processos de acelera??o na Braskem Labs, na ACE Startps e na InovAtiva Brasil 2016, realizada na Federa??o das Indústrias de S?o Paulo (Fiesp). “Ao chegar em S?o Paulo nós descobrimos que nosso negócio só cresceria, de fato, se mudássemos para cá”, recorda. “Em apenas um final de semana fizemos mais conex?es que em dois anos.”

彩民彩票平台Até colocar esta ideia em prática se passaram dois anos, neste período, a dupla entabulou conversas com prospects e potenciais investidores, e aproveitou para “tentar a sorte” no programa Shark Tank, exibido no canal Sony. A visibilidade causou dois efeitos distintos e complementares: 1) a Fix it mudou sua sede para a eretz.bio, a incubadora de startups do Hospital Israelita Albert Einstein, em S?o Paulo, e 2) alterou radicalmente o modelo de negócio, passando a aperar como uma desenvolvedora de solu??es para o setor médico-hospitalar. O principal impacto dessa decis?o pode ser visto na escalada do faturamento, que saltou de R$ 106 mil, em 2018, para estimados R$ 220 mil, em 2019. “Nossa meta é fechar 2020 em R$ 1 milh?o”, diz Hebert.

O entusiasmo se deve à confian?a no sucesso no sistema de franquia, a partir do qual o produto passa a ser fabricado no consultório do ortopedista, do terapeuta ocupacional ou do fisioterapeuta, a partir de um desenho sob medida fornecido pela Fix it. O relacionamento entre as partes acontece por meio eletr?nico, via transmiss?o de arquivos 3D. Até ent?o, a empresa atuava com órteses nas configura??es P, M e G, vendidas por distribuidores para os consultórios. “Apesar de termos chegado a contar com onze parceiros, em todo o Brasil, o sistema n?o rendeu o esperado devido à falta de engajamento dos distribuidores”, lamenta.

Agora, o modelo B2B2C inclui apenas as partes altamente interessadas no negócio. Para ingressar na rede Fix it, é necessário desembolsar R$ 20 mil: R$ 5 mil em taxa de franquia, R$ 10 mil na aquisi??o da impressora 3D e R$ 5 mil em capital de giro. A franquia já despertou a aten??o de seis empreendedores, situados nas cidades de Natal (RN), Caruaru e Recife (ambas em PE), Chapecó (SC) e Santo André (SP). Existem negocia??es em andamento com uma grande rede hospitalar brasileira, além do interesse de um investidor de Portugal, cujos nomes Hebert n?o revela. “Só poderei falar quando o contrato estiver assinado”, justifica.

Segundo o empreendedor, a Fix it vai se concentrar no desenvolvimento das formas, no design das órteses e na composi??o da matéria prima: um filamento de PLA (ácido polilático), plástico termomoldável e biodegradável, produzido a partir do baga?o de cana de a?úcar, milho e beterraba. “Nossos principais concorrentes s?o o gesso mineral e o sintético, que possuem inúmeros inconvenientes como a dificuldade de fazer a higieniza??o do local, além de exigirem a imobiliza??o de uma maior área no corpo do paciente”, explica. A órtese de PLA, ao contrário, atua de forma tópica, é resistente à água e se degrada na natureza após seu tempo de uso”, destaca.

Para montar o negócio de impress?o 3D, em 2014, Hebert investiu R$ 10 mil, sacados do cart?o de crédito. Na Fix it ele já contou com a parceria de investidores-anjos que apostaram na ideia. Agora, tanto ele quanto o sócio Filipe, graduado em fisioterapia com especializa??o em neurogerontologia, que trocou Mossoró por Natal e acabou desembarcando em S?o Paulo com a família, esperam come?ar a receber os dividendos de um produto que já conquistou muitos prêmios e reconhecimentos. “Investir em inova??o é sempre arriscado e desafiador em todos os lugares do mundo e, no Brasil, n?o seria diferente”, define o empolgado biomédico que está finalizando um mestrado em Tecnologia e Inova??o, na UFRN.


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