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O que nos espera em 2020?

Após um ano quente, recheado de tens?es, conflitos sociais e amea?as de guerra comercial, o horizonte global come?a a esbo?ar um período de menos tormenta e mais bonan?a. mas será que essa fase vai durar?

Crédito: AP Photo/Paul Sancya

彩民彩票平台HORIZONTE INCERTO Amea?ado pelo Congresso, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve endurecer discurso em busca da reelei??o (Crédito: AP Photo/Paul Sancya)

A economia mundial foi recheada de incertezas em 2019. Dos países emergentes aos desenvolvidos, poucos passaram incólumes a uma desacelera??o global, que parecia ser um simples reflexo das tens?es comerciais entre China e Estados Unidos, mas envolvia mais do que isso. Dada a quantidade de tens?es, até que o mundo chegou ao fim de 2019 com parte dos principais pontos de conflito minimamente contornados (ou atenuados), o que trouxe uma sensa??o de melhora do ambiente. O principal sinal disso reside na trégua da guerra comercial entre China e Estados Unidos. As duas maiores potências do mundo, responsáveis por 40% dos US$ 90 trilh?es da economia global, anunciaram em dezembro ter finalizado um acordo para adiar a alta das tarifas para importa??es. No auge da tens?o, em 2019, o mundo flertava com uma nova recess?o. Agora, esse risco fica mais distante. Ainda que algum resquício de incerteza siga em 2020, as expectativas indicam que a economia global cres?a 2,7%, segundo o Citi. Já o Barclays estima alta global de 3,3%. “Esse movimento é excelente para a economia ativa, tira o dinheiro da economia financeira, que se fortalece no medo da recess?o”, diz o coordenador do núcleo econ?mico da Universidad de Chile, Fernando Henrico Cuarón.

Nos EUA, ainda que o processo de impeachment do presidente Donald Trump tenha passado na Camara, e possa reaquecer os animos da política interna, as chances de uma recess?o no país se mostram distantes, mesmo que seja provável que a economia continue se desacelerando. O banco JP Morgan, por exemplo, estima que a alta do PIB americano vá dos 2,3% em 2019 para 1,7% em 2020. Mas n?o há consenso. Thiago Neves Pereira, economista sênior da Macro Gest?o de Capitais prevê que o crescimento dos EUA, em 2019, será de 2,1%, ritmo que deve se manter no mesmo patamar em 2020. Antes, a expectativa era de algo em torno de 1,5%. A América de Trump dá adeus a 2019 com baixo desemprego, salários em alta, infla??o controlada, juros baixos, mercado de a??es e lucros corporativos vigorosos. Mas nada disso adiantará caso ele n?o escape do impeachment – pouco provável com sua forte maioria republicana no Senado –, ou n?o se confirme a trégua comercial. Esses dois cenários trariam impactos pesados. No caso da n?o efetua??o do acordo, e aumento das tarifas de importa??o, haveria uma combina??o de desacelera??o econ?mica com infla??o. é tudo de que os EUA n?o precisam, e Trump sabe disso. Ent?o, o cenário mais provável é de assinatura da fase 1 com a China ainda em janeiro. Sagaz comunicador, a expectativa é que o presidente alie, justamente, a amea?a do impeachment com uma “vitória” nas negocia??es com a China para sustentar uma reelei??o.

VITóRIA CONSERVADORA Ratificado por uma nova elei??o, Boris Jonhson confirma seu poder de fogo e deve aprovar o Brexit a qualquer custo (Crédito:AP Photo/Alastair Grant)

Surge uma nova Europa

Depois de um ano de muita tens?o e incertezas, as coisas come?aram a dar aparentes sinais de melhora na Europa, ainda que tímidas. Depois da vitória esmagadora dos conservadores nas elei??es do Reino Unido, acredita-se que o primeiro-ministro Boris Johnson conseguirá finalmente aprovar a sua proposta de separa??o dos britanicos do bloco europeu. Mas restam dúvidas se isso será possível ou se há consenso político.

Se isso resolve o problema do Reino Unido, tudo indica que a Europa ficará mais frágil depois do Brexit. E, como diz o ditado: no olho por olho – forma como Johnson já sinalizou que fará a ruptura – todo mundo sai cego. Isso significa que a Gr?-Bretanha também terminará o processo diminuída, além de mais polarizada e menos influente cultural e economicamente. Na Fran?a de Emanuel Macron reside a esperan?a por ideias inovadoras que ajudem o bloco a manter o seu or?amento mesmo sem a participa??o britanica, mas a responsabilidade de fechar as contas deve cair mesmo sobre a também francesa Christine Lagarde, que assumiu a posi??o de líder do Banco Central Europeu.

彩民彩票平台Outra expectativa sobre como será o comportamento da Uni?o Europeia no ano reside no país mais importante do bloco, a Alemanha, que, depois de ter escapado por pouco de uma recess?o, chega ainda fragilizada em 2020. A coaliz?o de Angela Merkel entra em seu período final perdendo apoio. A economia do país, muito dependente da demanda externa, em especial da China, pode sofrer se medidas mais ousadas de investimentos públicos n?o forem ativadas. Também em torno da Europa acontecerá uma batalha que se avizinha em 2020. Após a conferência do clima da ONU, em Madri, em dezembro, quando o Brasil confirmou a sua figura de pária internacional em quest?es climáticas, a conferência em Glasgow, em 2020, deve ser ainda mais quente. Os países devem se digladiar sobre tarifas para a emiss?o de carbono. “Houve um desgaste da imagem do País em 2019”, diz Welber Barral, ex-secretário de Comeércio Exterior. “Há um risco grande da Europa adotar medidas unilaterais contra o Brasil.”

Convuls?o na América Latina

Enquanto os países ricos e desenvolvidos avaliam as suas chances para 2020, está com os emergentes a possibilidade de obter trajetórias econ?micas melhores. índia, Brasil, Rússia, Turquia, Indonésia e Tailandia s?o exemplos de países que podem ajudar a economia global a fugir da desacelera??o. O cenário, no entanto, n?o é t?o promissor para os nossos vizinhos da América Latina, dada a turbulência social em países como Argentina, Bolívia, Chile, Col?mbia, Equador e Venezuela, que enfrentaram ondas de protestos e sentiram o reflexo disso na atividade econ?mica.

POPULA??O VAI àS RUAS Onda de protestos em 2019 pode voltar a acontecer em 2020 (Crédito:Pablo VERA / AFP)

Com as incertezas sociais dando as caras em quase todos os pontos da regi?o em 2019, o PIB somado dos 23 países cresceu 0,1%, segundo a Comiss?o Econ?mica para América Latina e Caribe (Cepal). Para 2020, a proje??o é de 1,3%. Diante do cenário de erup??o social, a secretária-executiva da Cepal, Alícia Barcena, avalia que os governos precisam mudar a estratégia. “é preciso que os países parem de criar medidas de ajustes e estimulem o crescimento para reduzir a desigualdade. Com isso, haverá um espa?o enorme para o desenvolvimento e um ciclo amplo de avan?o das na??es”, afirmou.

彩民彩票平台A grande preocupa??o para o Brasil está na fronteira ao Sul, com um novo governo argentino, de Alberto Fernández, que tem sido atacado por Jair Bolsonaro. De qualquer forma, ambos precisar?o negociar. A Argentina é o grande destino das exporta??es brasileiras industriais, em especial, de automóveis. Nossos vizinhos, ao que tudo indica, ter?o o 2020 mais incerto dentre os quatro grandes parceiros comerciais do Brasil, que incluem também os EUA, a Uni?o Europeia e a China. A economia argentina fecha 2019 com uma queda de 3,1%, infla??o em torno de 55%, pobreza perto de 40%, desemprego de 10,4% e deprecia??o monetária de quase 40%. Fernández tentará fazer concess?es sociais, de um lado, e buscar o equilíbrio fiscal, por outro. Um desafio que ninguém invejará para 2020.