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“N?o adianta votar a reforma tributária no primeiro semestre de 2020 e travar a economia”

O BTG Pactual trabalha com a cren?a de que a economia brasileira come?a a mostrar sinais de crescimento. Em recente relatório, comenta que 2020 será um grande ano para o Brasil com “uma perspectiva mais brilhante de crescimento”. O banco também elevou a previs?o do PIB para 2,5%.

彩民彩票平台Para álvaro Frasson, economista do BTG Pactual digital, que tem ampla experiência na análise da macroeconomia e do mercado de capitais brasileiro, é nas m?os do Congresso que está o futuro do Brasil, com a escolha de pautas cruciais para alavancar a economia. Em entrevista à DINHEIRO, Frasson aponta quais devem ser as prioridades em 2020.

Em 2019, o Governo realizou uma série de medidas para diminuir os custos da máquina federal, entre eles a reforma da Previdência e corte de gastos no funcionalismo. Em 2020 sentiremos os efeitos deste enxugamento?

Em 2020 teremos dois cenários. O positivo é que o governo continuará reduzindo os gastos na máquina pública. Por este motivo, a saída nos próximos dois anos para o Brasil será o crédito privado, com o governo Bolsonaro incentivando o mercado a ofertar crédito para projetos diversos.

彩民彩票平台O lado negativo está na reforma Tributária, que tem poucas chances de ser aprovada em 2020. A pauta da tributa??o passa por duas situa??es: se a reforma for aprovada no come?o de 2020, terá que encarar um cenário tenso, com implica??es setoriais que pode travar a agenda de reformas do primeiro semestre. Porém, se for votada em 2021, pode ser ruim para os setores que dependem da tributa??o, afetando investidores, capital fixo, servi?os, alíquota industrial, gerando uma inseguran?a tributária no Brasil.

Mesmo com duas alternativas pouco otimistas, as elei??es municipais no segundo semestre de 2020, que devem pausar as vota??es do congresso, indicam que a reforma deve ficar para 2021. Deixando para primeiro semestre de 2020 pautas mais simples e urgentes: a PEC emergencial, a reforma administrativa, e o funcionalismo público.

A agenda política será crucial para o bom andamento da economia em 2020. O Congresso deve se preocupar com a ordem de vota??o das reformas. N?o adianta votar a reforma tributária no primeiro semestre de 2020 e travar a economia.

Como ficam os indicadores econ?micos e investimentos com este panorama?

Acredito que 2020 n?o será um ano de investimentos de longa data, o consumo de bens e servi?os, o varejo, continuará ganhando for?a e estimulando o crescimento econ?mico. A economia vai crescer, mas ainda enfrentaremos uma grande austeridade.

As estimativas do BTG para a taxa Selic s?o de 4% até o final de 2020, e a infla??o 彩民彩票平台 de 3,5%.? O juro e infla??o baixos devem incentivar o consumo, há pouco espa?o para a retomada da indústria.

A proje??o é que o PIB cres?a 2,5%. Analisando os quatro componentes que fazem parte do PIB, consumo das famílias, gasto público, investimentos fixos e balan?a comercial, temos o seguinte cenário: o gasto público n?o deve estimular o crescimento em 2020, o investimento será relevante por causa dos juros baixos. Já a balan?a comercial fica em um terreno duvidoso por causa do acordo entre China e Estados Unidos que pode alavancar nossas exporta??es ou prejudicar. Ent?o a responsabilidade sobra para o consumo privado. A libera??o do FGTS e um reajuste do salário mínimo podem ajudar no aumento do consumo e provavelmente na gera??o de empregos, de até 2,5% no próximo ano.

E o cambio?

彩民彩票平台O cambio terá um cenário muito estressante. Será impactado com a nota de crédito brasileira, a percep??o do risco Brasil e o acordo comercial China-EUA.

O real deve ganhar for?a em 2020, com melhorias no ranking da S&P Global, a nota do Brasil pode deixar a classifica??o “BB-“. Isso abriria as portas para o investimento estrangeiro.

A cota??o do dólar deve cair de R$4,20 para R$4,05, encerrando 2020 ao redor de R$ 4,10.

A infraestrutura brasileira ganha investimentos em 2020?

Vejo uma fase boa para o mercado de investimento privado no Brasil, que pode ser até mais importante que o crédito público. ?Os resultados ser?o melhores do que em 2019, por causa das reformas, que v?o melhorar a percep??o do Brasil lá fora e atrair fluxo estrangeiro.

彩民彩票平台Em rela??o ao BNDES, acredito que as empresas já perceberam que o banco adotou novas posturas de crédito, com desinvestimentos nas grandes corpora??es e auxiliando pequenas e médias empresas. Vemos uma saída saudável no crédito privado em 2020.

Veremos mais empresas abrindo capital na Bolsa de Valores?

彩民彩票平台é difícil fazer uma compara??o com 2019, mas o que é possível afirmar é que o índice é favorável para o mercado secundário. Se a nota de crédito do Brasil melhorar, ent?o teremos um crescimento interessante comparado aos últimos cinco anos.

彩民彩票平台De 30 bilh?es de reais na economia brasileira, mais de R$ 10 bi foram para o mercado secundário da B3.? Tudo isso, somado a uma percep??o correta da agenda de reformas, deve fortalecer o fluxo estrangeiro.

Com o juro baixo, os investidores de renda fixa continuar?o migrando para renda variável?

彩民彩票平台Sim, e isso acontece n?o só por causa da taxa Selic e sim também pelo crescimento econ?mico. Vemos um fen?meno onde as pessoas come?am a migrar para renda variável, entendem mais de fintechs e educa??o financeira. Há dois anos eram 500 mil investidores na bolsa e hoje temos 1,5 milh?o.? Os bancos digitais e os movimentos de educa??o financeira facilitaram este acesso.

Tem um segundo fator que é a valoriza??o da renda variável. Com os juros que devem permanecer estáveis em 2020 e as empresas gerando fluxo de caixa, o Ibovespa vai continuar subindo com a economia brasileira ganhando tra??o.? Até o final de 2020, o BTG espera que o Ibovespa chegue a 130 mil pontos.