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Dietilenoglicol: entenda os efeitos da substancia encontrada em cerveja

A substancia encontrada em garrafas da cerveja Belorizontina, da marca Backer, o dietilenoglicol, já foi utilizada em vários países em substitui??o ao álcool ou como diluente, na fabrica??o de bebidas e xaropes, e é suspeita de ter provocado mortes na Nigéria, Bangladesh, Panamá e Haiti. O episódio mais recente ocorreu em 2009 no país do sudeste asiático, quando 24 crian?as com idades entre 11 meses e três anos morreram por problemas renais depois de tomarem um xarope de paracetamol que continha a substancia.

彩民彩票平台A Backer, fabricante da Belorizontina, afirmou em nota divulgada nesta sexta-feira, 10, que o dietilenoglicol “n?o faz parte de nenhuma etapa do processo de fabrica??o de seus produtos, inclusive da Belorizontina”. A substancia, conforme laudo divulgado na quinta-feira, 9, pela Polícia Civil, foi encontrada em garrafas da cerveja recolhidas dentro de investiga??o que apura a morte de uma pessoa e a interna??o de outras sete que teriam consumido a bebida. Todas moram ou passaram pelo bairro Buritis, regi?o oeste de Belo Horizonte, na segunda quinzena de dezembro.

O dietilenoglicol é um líquido claro, sem odor, utilizado como solvente na área de extra??o de petróleo e em defensivos agrícolas. A substancia pode ser usada ainda, no caso de fábricas de cerveja, para resfriamento de serpentinas. Nos países em que pode estar relacionado a mortes, o dietilenoglicol foi usado como solvente em xarope, como no caso de Bangladesh. à época, autoridades informaram que a substancia foi usada por ser dez vezes mais baratas que solventes normais utilizados na fabrica??o do medicamento.

彩民彩票平台O médico toxicologista Anthony Wong, do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Universidade de S?o Paulo (USP), afirma já ter tomado conhecimento da utiliza??o do dietilenoglicol no mercado de bebidas alcoólicas em outras partes do mundo. “é uma prática n?o muito rara”, afirma. Wong explica que a mistura acontece quando no processo de fermenta??o normal da bebida n?o se alcan?a o teor alcoólico necessário. A substancia é, ent?o, utilizada para se chegar ao ponto considerado ideal.

O especialista afirma que a própria literatura médica aponta que o uso do dietilenoglicol pode ser prática mais comum do que tende-se a imaginar. Em quantidades pequenas, afirma Wong, a substancia pode proporcionar, por exemplo, uma dor de barriga. Mas, em volume elevado, as consequências podem ser bem mais sérias. O dietilenoglicol está relacionado a um escandalo no setor de vinhos da áustria em 1985, quando produtores passaram a utilizar a substancia para deixar a bebida mais encorpada. N?o houve, porém, registro de mortes.

彩民彩票平台O quadro médico das oito pessoas que podem ter passado mal por causa da cerveja contaminada tem similaridade com o das crian?as que morreram em Bangladesh. Todos, assim com os bebês asiáticos, apresentaram problemas renais. Acusaram ainda, no caso dos pacientes brasileiros, altera??es neurológicas graves. Os sintomas iniciais s?o v?mito e dores abdominais. O paciente que morreu, morador de Ubá, na Zona da Mata, foi enterrado na madrugada desta sexta, 10. O falecimento ocorreu no dia 7, mas o corpo passou por necropsia no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte.

O toxicologista Wong afirma que, depois dos sintomas iniciais, a ingest?o do dietilenoglicol passa a provocar as altera??es neurológicas, com confus?o mental, tontura, podendo ocorrer até convuls?es. Em seguida, a substancia, ao passar pela fígado, faz com que o órg?o produza outra substancia, o ácido hidroxiacético, na tentativa de anula??o do dietilenoglicol. “O ácido hidroxiacético, no entanto, é uma substancia ainda mais perigosa que o dietilenoglicol, e vai afetar os rins”, explica o médico.

彩民彩票平台Segundo Wong, ao sair do fígado, o ácido hidroxiacético se transforma em cristais no interior dos rins, impedindo que funcionem. Em 1990, na Nigéria, sete crian?as foram internadas depois de tomarem remédio para infec??es respiratórias que teria o dietilenoglicol em sua composi??o. Todas apresentaram insuficiência renal e morreram. Há ainda registros de mortes pela substancia no Panamá, em 2007.

Anvisa publicou alerta em 2007

As autoridades brasileiras já chegaram a recomendar cuidado com o dietilenoglicol. Em 11 de junho de 2007, a Agência Nacional de Vigilancia Sanitária (Anvisa) publicou alerta afirmando ter recebido informa??es da “existência de medicamentos adulterados recentemente no Panamá que resultaram em vários casos de insuficiência renal aguda, muitos deles fatais”. “O Ministério da Saúde desse país investigou esses casos e concluiu que as rea??es adversas resultaram do uso de xarope para tosse contaminado com dietilenoglicol (DEG).”

O alerta afirma ainda que “fatalidades associadas a essa substancia também foram relatadas no passado (2006), em 1938, nos EUA, quando foi utilizado como diluente da sulfanilamida, em 1996 quando várias crian?as morreram no Haiti após consumirem xarope de paracetamol contaminado com DEG e em 1998, na índia, onde xaropes para tosse contaminados causaram a morte de muitas crian?as”.

Substancia n?o integra processo de fabrica??o, diz Backer

彩民彩票平台Em notas divulgadas nesta sexta, 10, a Backer, cuja fábrica fica na capital, afirma que “a substancia dietilenoglicol n?o faz parte de nenhuma etapa do processo de fabrica??o de seus produtos, inclusive da Belorizontina”. A empresa afirma reiterar “que continua colaborando com as autoridades e que se solidariza com as famílias envolvidas”.

A cervejaria diz que os lotes L1-1348 e L2-1348, aos quais pertenciam as cervejas contaminadas, “ser?o recolhidos diretamente nos domicílios dos consumidores, em horário agendado”. Para isso, conforme a empresa, “os clientes devem ligar para o telefone (31) 99536-4042, exclusivo para esse procedimento”. A cervejaria afirma ainda que “aguarda a conclus?o das investiga??es” e que “refor?a seu compromisso com a qualidade dos seus produtos”.

As notas afirmam ainda que o recolhimento das cervejas ocorrerá mesmo que as garrafas n?o sejam dos lotes dois quais saíram a o produto contaminado. “Para o bem-estar e conforto de seus clientes, comunica que irá recolher, caso seja de interesse do consumidor, outros lotes da cerveja Belorizontina, mesmo que n?o sejam os lotes L1-1348 e L2-1348, a partir de segunda-feira, 13 de janeiro. Neste caso, o cliente, de porte do cupom fiscal da compra, deve procurar o estabelecimento comercial onde adquiriu o produto e fazer a devolu??o. O cliente será ressarcido no momento da devolu??o”, diz o texto.