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Brasil entre EUA e Ir?

Costumaz bajulador de Trump, Bolsonaro se posiciona ao lado do líder americano no coflito com o Ir? e coloca o Brasil, que sempre se manteve isento, numa saia justa que desafiará sua articula??o política e trará efeitos à economia.

Brasil entre EUA e Ir?

彩民彩票平台Luto no ir?: Cortejo do líder iraniano Qasem Soleimani (à esq.), no último dia 7, teve tumulto e mortes. No Brasil, Bolsonaro questionou a patente do general iraniano

Com o conflito entre Estados Unidos e Ir?, que ganhou for?a com o atentado norte-americano que matou o general Qasem Soleimani no último dia 2, o presidente Jair Bolsonaro n?o hesitou a se colocar ao lado do americano Donald Trump. A postura ignorou a tradicional conduta diplomática brasileira de se manter isento em tens?es como esta. Como resposta à morte do general, o Ir? bombardeou duas bases militares dos EUA no Iraque, na ter?a-feira 7, o que indicava que a crise entre os dois países continuaria. Pegando todos de surpresa, Trump se mostrou menos agressivo em seu posicionamento sobre o bombardeio, usando como argumento o fato de n?o ter havido vítimas fatais, o que reduziu a apreens?o mundial e aliviou indicadores econ?nicos como ouro e petróleo. Para o Brasil, o problema foi que a velocidade de Bolsonaro em se colocar ao lado dos norte-americanos desencadeou uma saia justa desnecessária com iranianos – que s?o nossos parceiros comerciais – e colocou em voga a falta de uma política eficaz, tanto na diplomacia internacional quanto nas estratégias para lidar com as oscila??es do pre?o do petróleo no mercado interno.

Mauro Pimentel/AFP

彩民彩票平台Além do conflito entre EUA e Ir?, outras tens?es mundiais têm abalado o mercado internacional do petróleo, o que reflete no desempenho do PIB brasileiro. Se, por um lado, a alta no pre?o do barril é boa para a Petrobras, por outro, com a economia ainda reticente o avan?o dos valores do combustível para o consumidor final pode corroer a renda do brasileiro e minar o avan?o da economia neste ano. Enquanto se preocupa em estar posicionado ao lado de Trump em um conflito que pouco interferiria no Brasil, Bolsonaro se afasta das respostas sobre como amortecer as oscila??es do petróleo dentro do País e, quando questionado sobre o tema, joga nos governadores a responsabilidade de baratear o combustível com redu??o do ICMS. “N?o digo que reduzir o ICMS é ruim. Isso, inclusive, está previsto na reforma tributária. O que n?o dá é o presidente citar isso como se os estados estivessem com dinheiro sobrando”, disse, sob condi??o de anonimato, um assessor do governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

O próprio presidente sinalizou que a atual situa??o fiscal dos estados dificulta a medida. “Alguns governadores podem até topar (reduzir o ICMS), mas eles v?o questionar qual será a compensa??o”, disse Bolsonaro, na segunda-feira 6. De acordo com ele, os governadores aproveitam a alta do petróleo para arrecadar mais. “Vamos supor que aumente 20% o pre?o do petróleo, vai subir em 20% o pre?o do ICMS. N?o dá para uns governadores cederem um pouco nisso? No fim, quem paga o pato sou eu”. No dia seguinte à morte do general iraniano, o pre?o do barril de petróleo Brent bateu US$ 70, alta de 4,5% em rela??o ao dia anterior.

Para Carlo Barbieri, presidente do Grupo Oxford, a redu??o do ICMS é uma medida concreta, mas compensar os governadores seria difícil. “N?o creio que o presidente tenha cacife político para implementar isto de forma concreta”, diz. Uma alternativa que n?o onera os estados foi dada pelo ex-secretário adjunto da secretaria da Fazenda do Estado de S?o Paulo entre 2006 e 2010, Kleber Lembo. “Ao reativar o CIDE (Contribui??o de Interven??o no Domínio Econ?mico) Combustíveis, teríamos um ‘colch?o’ para amortecer as oscila??es”.

O CIDE, que foi criado no governo Fernando Henrique Cardoso já teve R$ 10 bilh?es, mas perdeu for?a e chegou a ser extinto no governo Dilma Rousseff. Outra solu??o seria congelar os pre?os na bomba por um tempo, como fez o ex-presidente Michel Temer, ou interferir na precifica??o, como fez Dilma. As duas possibilidades, no entanto, s?o mal vistas pelo mercado, já que passariam uma mensagem de interven??o que prejudicaria a venda das refinarias da Petrobras. “Isso seria tirar dinheiro da Petrobras. No mercado, chamamos isso de custo de oportunidade. N?o é saudável para uma estatal”, afirma o economista Claudio R?ggo. De 2011 e 2014, Dilma congelou o pre?o para controlar a infla??o. Apesar de resolver o problema no curto prazo, o represamento gerou rombo na Petrobras, com perdas de R$ 90,5 bilh?es. O Grupo de 彩民彩票网址 da Energia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estima que a a??o teve custo de oportunidade de R$ 104 bilh?es.

A ideia do congelamento de pre?os, no entanto, está descartada. Em reuni?o com o ministro do Gabinete de Seguran?a Institucional (GSI), Augusto Heleno, e com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, Bolsonaro foi claro. “Eu converso com o almirante Bento (ministro de Minas e Energia), com o presidente da Petrobras e o Paulo Guedes (ministro da 彩民彩票网址 ), e temos uma linha de n?o interferir. Já fizemos a política de tabelamento e n?o deu certo. A distribui??o ainda é o que mais pesa no pre?o do combustível. Depois, vem o ICMS, que é o imposto estadual”. Vale lembrar que o valor nas refinarias soma 33% do que é pago na bomba. O restante é: 29% de ICMS; 15% de impostos federais, Cide, PIS/Pasep e Cofins; 14% de etanol anidro; e 11% de distribui??o e revenda. De suas 17 refinarias, a Petrobras pretende vender 13. Outra solu??o, esta indicada pelo economista-chefe da Proxy Consultoria Ambiental, Rodrigo Cavalares, é mudar o consumo interno. “Dar subsídio para combustível fóssil é nadar contra a maré. O Brasil precisa de políticas de incentivo e desonera??o para venda de etanol”, diz Cavalares.

Prepare o bolso: Com tens?o entre Estados Unidos e Ir?, o valor do combustível na bomba deve subir nas próximas semanas. Governo vê avan?o de 5% no pre?o para o consumidor. (Crédito:Divulga??o)

彩民彩票平台Tens?o crescente Se, dentro do Brasil, o impacto do conflito é mensurado, mundo afora os reflexos s?o evidentes. “Precisamos lembrar que o Ir? é um dos controladores do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao oceano, por onde é escoado um quinto da produ??o global do óleo”, destaca o professor de Rela??es Internacionais da UnB, Caito Montev?o. Segundo ele, qualquer conflito nessa regi?o impacta nos pre?os. “Um bloqueio do Estreito de Ormuz reduziria drasticamente a oferta global de óleo cru”. O general Soleimani era chefe da Guarda Revolucionária e um dos homens mais poderosos do Ir?. Ele foi morto no Iraque e, tanto o líder supremo do Ir?, Aiatolá Ali Khamenei, quanto o presidente Hassan Rouhani prometeram uma retalia??o, que veio cinco dias depois, com 17 mísseis que atingiram duas bases militares dos EUA no Iraque. O ataque, que foi um alerta e n?o um convite à guerra, n?o matou ninguém, o que levou Trump a diminuir o tom sobre a continuidade do conflito.

A postura de posicionamento aberto de Bolsonaro nessa briga desagradou iranianos, mas gerou ainda conflitos ideológicos dentro do governo brasileiro. Enquanto uma nota do Itamaraty informava que “o governo manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”, o presidente Bolsonaro questionou a patente militar do general Soleimani. E foi além: “Tem certos países que, se tiverem artefatos nucleares e meios para lan?á-los, o mundo todo entra em instabilidade”. Para Montev?o, da UnB, o apoio aos EUA é ruim, principalmente, para o agronegócio. “Ainda que o Ir? represente 3% das nossas exporta??es, a regi?o é promissora para produtos alimentícios”, diz. Prova disso é que, em 2019, o Ir? comprou 14% de todo o milho exportado do Brasil, movimentando US$ 1 bilh?o. Hoje, o Ir? está em 23o lugar entre os países que mais compram do Brasil, mas sobe para o 4o lugar, quando considera-se apenas os importadores de alimentos. O agronegócio tem colocado em lados opostos os membros do alto escal?o do governo. Enquanto militares e produtores rurais defendem mais modera??o, a ala ideológica, encabe?ada pelo chanceler Ernesto Araújo, acredita que o alinhamento com os EUA pesa mais que a balan?a comercial com o Ir?.

ECONOMIA
Ibovespa de emo??es

O mercado acionário n?o é para principiantes. Quem se empolgou com a máxima de 118.573 pontos do Ibovespa, no dia 2 de janeiro, teve de controlar o nervosismo nos quatro preg?es seguidos de baixa. O alívio dos investidores só apareceu quando o presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu n?o escalar mais as opera??es militares no Oriente Médio, em resposta aos ataques do Ir? às bases americanas no Iraque, nos dias 7 e 8 de janeiro. Entre os ativos locais, os papéis das companhias aéreas Gol e Azul foram os que mais sentiram a volatilidade, que registraram as maiores baixas nos dias 3 e 6 e só mostraram alguma rea??o nos dias 7 e 8. Segundo Thiago Salom?o, analista da Rico Investimentos, as empresas aéreas foram impactadas duplamente pela alta do pre?o do petróleo e também pela aumento do valor do dólar. “N?o se sabe o que o Ir? vai fazer ou como os EUA v?o reagir. Na bolsa de valores, é sempre melhor ter uma boa carteira diversificada para reduzir os riscos e nesses momentos ficar mais cauteloso, com uma parte em caixa para aproveitar oportunidades depois”, diz. O investidor de papéis da Petrobras, embora tenha pensado que podia ter alguma vantagem com a alta do petróleo, como no dia 6 – quando a a??o preferida dos estrangeiros (ON) disparou 3,2% –, logo viu a cota??o cair por causa das declara??es menos beligerantes de Trump e ainda com receios de interferência política nos pre?os internos do diesel e da gasolina no mercado doméstico. Em cinco preg?es até o dia 8, o papel ON caiu de R$ 32,80 para R$ 32,05 (-2,28%) e a PN recuou de R$ 30,70 para R$ 30,50 (-0,65%).

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