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A Guerra do Streaming vai mudar (ainda mais) sua TV

Crédito: Reprodu??o UOL

彩民彩票平台O que é TV?

彩民彩票平台A pergunta soa estranha, admito. Afinal, nos acostumamos à ideia de que a televis?o sempre foi (e continuaria sendo) apenas esse grande aparelho eletrodoméstico geralmente postado em local nobre da casa. Apesar de evoluir da forma de caixote para a de “quadro” para pendurar na parede, é verdade que, essencialmente, ela permaneceu a mesma por muito tempo.

E se agora eu te dissesse que esse conceito mudou e a minha resposta à pergunta inicial fosse: TV é software?!

彩民彩票平台A ideia pode parecer contra intuitiva, mas essa é uma das maiores transforma??es que veremos nas próximas décadas e eu convido você a acompanhar meu raciocínio.

Vamos lá?

A primeira transmiss?o no Brasil foi realizada em S?o Paulo em 18 setembro de 1950. Assis Chateaubriand, proprietário da ent?o TV Tupi, espalhou alguns aparelhos pela cidade porque a maioria das pessoas nem sequer entendia direito o que era “essa tal de TV”.

彩民彩票平台Imagens da cerim?nia de inaugura??o da TV no Brasil. Fonte:

As emissoras transmitiam por radiofrequência, primeiro nos canais de VHF e, mais tarde, nos UHF. Dito de maneira mais simples, VHF/UHF seria algo como AM/FM. Ou seja, ondas eletromagnéticas. O sinal era amplificado por torres, várias das quais se tornaram marcos das cidades. A primeira no Rio foi instalada no Morro da Urca. Em S?o Paulo, ganhou fama a Torre da Paulista e, em Brasília, o projeto de Lúcio Costa virou atra??o turística.

彩民彩票平台O modelo de negócio parecia imbatível: acesso livre ao conteúdo, gerando uma audiência massificada; quanto mais gente vendo, maior a remunera??o dos anunciantes às emissoras por espa?os nos intervalos da programa??o.

彩民彩票平台No Brasil, a considerava (e ainda considera) as faixas de frequência dos canais como concess?es do governo às empresas, proibindo donos internacionais e mantendo regula??o do conteúdo, o que foi especialmente rigoroso no período da ditadura militar, quando havia censura prévia.

彩民彩票平台Em meados dos anos 1970, o Brasil adotou o sistema PAL-M e as emissoras passaram a transmitir programas em cores. Cerca de 20 anos depois, chegou ao Brasil outra tendência: a de empacotar conteúdos e vender o acesso a eles. Nascia a TV “a cabo” nacional. Ainda que a primeira operadora, a TVA, adotasse a tecnologia (sigla em inglês para “servi?o de distribui??o multiponto multicanal”), que utiliza microondas para difus?o.

O MMDS era útil principalmente em áreas afastadas dos principais centros urbanos, onde a instala??o do cabeamento era inviável financeiramente. A NET se firmou nos grandes centros urbanos com a estrutura física. Mais tarde, surgiu a transmiss?o por satélite, o sistema DTH, cujo principal representante é a Sky. N?o importa a tecnologia, o cabo demorou a pegar, sobretudo pela demora da infraestrutura e o alto pre?o.

Em 1997, o governo brasileiro abriu o mercado de telecomunica??es e fez uma grande licita??o para implantar a telefonia móvel no Brasil. Nessa época, com a entrada em vigor da , nasceu também a Anatel, agência encarregada de regulamentar e fiscalizar o setor.

Nasce a ‘Streaming Era’

彩民彩票平台A essa altura, a Internet comercial dava seus primeiros passos no País. As conex?es ainda eram (para quem n?o se lembra ou ainda n?o tinha nascido, o internauta ocupava a linha de telefone fixo para acessar a web) e navegar era um exercício de paciência quase budista a uma velocidade que, na melhor das hipóteses, chegava a 512Kb/s.

Aquela geringon?a interessante chamada Internet n?o parecia ter condi??o nenhuma de amea?ar a grande estrela do entretenimento popular – a TV aberta.

彩民彩票平台Com a entrada de players estrangeiros no mercado, as empresas “de cabo” passaram a oferecer a possibilidade de conex?es de banda larga, juntando-se aos provedores pioneiros, como o UOL. A velocidade de conex?o subiu a partir do ano 2000 e o acesso à Internet também.

O que viria a fazer toda diferen?a nessa história seria a Internet móvel. Até a chamada tecnologia 3G (), o celular servia basicamente para mandar torpedos e fotos com baixa defini??o. Três anos depois, a Apple apresentou o iPhone (a RIM já tinha lan?ado o e a Palm o ), que popularizou rapidamente a ideia de que o celular poderia ser um minicomputador. Como celulares também operam por radiofrequência, competiam com servi?os como o MMDS e mesmo com a TV convencional.

Apesar de lentos em rela??o ao resto do mundo, o brasileiro se apaixonou de vez pela mobilidade com a chegada dos smartphones. Em 2011, desembarca no País a TV Digital, que melhorou a qualidade do sinal e liberou mais banda para os celulares – somente dois anos depois come?aríamos a entrar na era 4G.

Em meados da década passada as emissoras de TV tentaram emplacar a ideia de um chip que usava a tecnologia japonesa ISDBT, que tornaria possível aos . Tal modelo n?o funcionou para ninguém (consumidores, operadoras e provedores de conteúdo). Em 2004 eu dizia que o padr?o de distribui??o de conteúdo seria através das operadoras e, por consequência o padr?o de tecnologia celular , apesar de alguns discordarem.

Com o advento da Internet banda larga, da transmiss?o de dados móveis por pacotes (a partir do 3G) e do smartphone criou-se um ecossistema tecnológico propício para o streaming. Tudo virou streaming. Música? Spotify para baixar e ouvir o quanto quiser. Jogos? Diversos games online para todos os gostos. Vídeo? Ali nasceu uma disrup??o ainda maior.

O sucesso do YouTube, lan?ado em 2005, come?ou a enterrar o velho hábito de ter hora marcada para consumir conteúdo.

Nascia o conceito de ‘on demand’, no qual quem decide o que assistir, quando, onde e como é o consumidor. Come?ava o inicio da ‘streaming era’.

彩民彩票平台O principal benefício que a Internet mais rápida trouxe foi facilitar o consumo de vídeos pela Internet. Mas como baixar um vídeo inteiro para ver (como se fazia nos tempos do ) era uma experiência ruim, surgiu a solu??o do conteúdo em streaming, que dispensa o download, pois o arquivo está na nuvem e o navegador n?o precisa ter uma cópia do arquivo para executá-lo, algo conveniente para proteger, inclusive, os direitos autorais de quem produz.

彩民彩票平台A principal representante dessa tendência nasceu em 1999 nos Estados Unidos, mas o modelo de negócio mudou em 2007 quando a , que até ent?o estava no ramo de loca??o de DVDs, lan?ou seu servi?o de assinatura. Realizando um pagamento mensal, o espectador tem acesso a um menu de op??es que pode ser consumido do jeito que quiser e a qualquer hora. Eliminava-se assim, do ponto de vista do público, os dois inconvenientes da TV aberta e do cabo. A audiência tem uma experiência personalizada (como as locadoras de filmes foram no passado) sem ficar limitada a um único dispositivo ou a um pacote padronizado.

Em 2010 a Netflix inicia pelo Canadá sua expans?o internacional em velocidade revolucionária. E bastou apenas uma década para colocar em xeque o bem estabelecido mercado de TV a cabo, que tem cerca de 50 anos nos Estados Unidos e, desde 2011 (), é chamado pela legisla??o brasileira de Servi?o de Acesso Condicionado, ou SeAC.

. Fonte: Anatel

A mudan?a de um modelo de pagamento por produto para o de assinatura caiu no gosto do consumidor e ganhou um nome: OTT, ou over-the-top, porque é, na essência, um distribuidor de conteúdo que n?o depende das controladoras e distribuidoras de conteúdo convencional. Ou seja, o consumidor escolhe os aplicativos que quer assistir com o conteúdo que quiser, na hora que quiser e no dispositivo que quiser. Desta forma, o conceito de ‘pacote de canais’ passa a fazer cada vez menos sentido (econ?mico e de comportamento) para as pessoas.

E aí cabe uma pergunta: se, no final do dia, a Netflix n?o é emissora de TV, nem operadora de cabo, nem de celular, nem provedora de acesso à Internet, ent?o qual a lei que regularia servi?os de OTT no Brasil?

Segundo a The Economist, em 2019 há cerca de 700 milh?es de assinantes de streaming no mundo. De acordo com estudo da McKinsey & Co., este mercado cresceu mais de , elevando o faturamento das empresas que praticam este sistema de vendas de US$ 57 milh?es para US$ 2,6 bilh?es nestes 5 anos. Neste ano de 2019, ainda segundo a The Economist, ser?o investidos em conteúdo US$ 100 bilh?es, valor semelhante aos aportes na indústria de petróleo nos Estados Unidos.

A Netflix lidera com folga o mercado de OTTs com no mundo (12,5 milh?es no Brasil), mas há outros players de peso se movimentando. A consultoria prevê que em 2025 essa indústria chegue aos US$ 332,5 bilh?es. Diante de perspectivas t?o poderosas, há gente chamando esse momento de .

彩民彩票平台Além da líder, há gigantes investindo cada vez mais nesse modelo, como a Amazon, a Apple, o grupo Disney (o lan?amento de seu servi?o ocorreu em novembro e já tem ), e a AT&T, operadora de telefonia que comprou a Warner Media e tem em seu portfolio joias como o já anunciado .

No Brasil, os canais abertos e os distribuídos no cabo est?o lan?ando vers?o streaming, incluindo a TV Globo, maior produtora de conteúdo do

彩民彩票平台país, em sua plataforma Globoplay, que já conta com mais de , com a oferta n?o apenas de produtos nacionais criados pela emissora, como também produtos exclusivos em streaming (que n?o est?o na sua grade de TV ?aberta) e títulos internacionais.

Mas por que isso é uma guerra?

彩民彩票平台Além da disputa pela preferência do consumidor, há uma série de quest?es de regula??o e modelo a serem pacificadas. Um exemplo passado: , como foi o imbróglio entre Netflix e Comcast ?nos Estados Unidos.

彩民彩票平台Ao perceber o potencial de crescimento do streaming, a Comcast, que é dona da NBC Universal, passou a tornar o tráfego de dados mais lento para a Netflix, prejudicando seu desempenho. Após uma briga judicial, a Netflix concordou em pagar a Comcast para garantir uma velocidade compatível para uma boa performance do seu servi?o.

Os provedores de acesso à Internet podem dificultar a vida dos servi?os OTTs em mercados onde n?o houver . No caso do Brasil, isso por enquanto é impossível porque a legisla??o brasileira exige essa neutralidade (Lei 12.965). Nos Estados Unidos, a quest?o ainda está nos tribunais – valia na era Obama e foi derrubada no governo Trump.

Aqui no Brasil, esse ano foi marcado pela briga entre o servi?o Fox+ e a Claro. Como operadora de celular e de cabo, a empresa foi à Justi?a para impedir que a distribuidora fizesse um contrato de assinatura diretamente com os consumidores – afinal o negócio da Claro é empacotar conteúdo. Até o fechamento desse artigo, .

A legisla??o brasileira n?o tem uma regula??o específica para o streaming, embora haja um movimento no Congresso para (cabo), principalmente por causa do conteúdo, o que considero um erro.

Por que? é simples.

O 5G chegará em 2020 ou 2021 e será possível até mesmo uma transmiss?o holográfica (a já fez um teste no estádio do Palmeiras). Certamente, em um futuro próximo, será possível a transmiss?o de conteúdo pelo 5G de forma livre (sem cabos), permitindo que mais operadoras possam oferecer servi?os de conteúdo, como é o caso da TIM, que n?o possui uma oferta de TV.

Como iremos regular esta inova??o? A Lei da Holografia (que n?o existe) seria equiparada ao SeAC? N?o faz sentido regular o meio de transmiss?o que muda a todo momento pela evolu??o tecnológica, mas sim regular os aspectos da distribui??o do conteúdo em si.

Em minha palestra sobre o futuro da TV no Pay TV Forum, realizado em S?o Paulo este ano no dia 30 de julho, disse exatamente o que falta ao Brasil: uma ampla lei sobre conteúdo mesclando os temas da lei da radiodifus?o, lei do cabo e novas regras para o streaming, assim como novas tecnologias que ainda vir?o. Caso contrário, teremos um solu?o regulatório a cada 5 ou 10 anos devido ao avan?o da tecnologia.

As TVs a cabo têm obriga??o de exibir 3,5 horas de programa??o brasileira em horário nobre, uma medida que tinha por objetivo fomentar a produ??o audiovisual brasileira, o que me declaro plenamente favorável. Mas até mesmo para esta regra entendo que o produtor deveria responsável pela distribui??o e n?o apenas pelo fomento.

Ao serem igualados ao cabo, os servi?os OTTs ficariam sujeitos às mesmas obriga??es, o que n?o faz sentido, porque n?o existe horário nobre, nem canal. N?o existe ‘grade de programa??o”. O produto pode até estar disponível, mas se o consumidor n?o quiser, ele ficará mofando na prateleira digital. Mesmo sem a obriga??o legal, a Netflix em conteúdo nacional.

O streaming pode parecer uma rela??o direta com o consumidor, mas há outros participantes, além do provedor de Internet e os concorrentes com opera??o na TV convencional: os dispositivos que permitem acesso ao servi?o.

Os exemplos mais conhecidos no Brasil s?o o Chromecast, o Amazon Fire e a AppleTV, que s?o dispositivos que se conectam a sua TV e criam um sistema paralelo e integrado para o streaming. Aqui também existem negocia??es a serem feitas entre o servi?o de streaming e os controladores dos dispositivos. O (do Google) no primeiro semestre de 2019. Nos Estados Unidos, há ainda outro dispositivo bastante popular – o Roku.

彩民彩票平台é aí que entra a nossa velha TV. Elas eram de tubo, depois de LCD, Plasma, 4K, 8K… E agora s?o cada vez mais “Smarts”. Essas TVs da nova gera??o devem ter um crescimento anual de vendas da nos próximos anos.

Nos lares brasileiros, o smartphone é o aparelho com maior penetra??o – aparecendo em primeiro lugar no ranking de posse e também de frequência de uso, em estudo feito pela consultoria Demanda. Os dados da ” também confirmam o crescimento do consumo de TV via streaming, responsável por 37% do tempo de utiliza??o de TV, ficando acima da média mundial de 29%.

As smart TVs já ocupam o quinto lugar, tomando o espa?o das TVs tradicionais, que est?o em 28% dos lares na 13a coloca??o, atrás até de outros aparelhos obsoletos, como DVD, CD e MP3 players. Em 2018 foram vendidos cerca de , de acordo com a consultoria Strategy Analytics.

彩民彩票平台Os aparelhos vêm com um sistema embarcado para agregar o conteúdo via Internet. Hoje no mercado norte americano os principais players s?o a Roku, que lidera o mercado de streaming nos Estados Unidos com 30% de market share; o FireTV, da Amazon; o Tizen, nativo da Samsung; o Android TV, do Google; e o webOS, da LG.

Fonte Santista

彩民彩票平台N?o custa lembrar que a chegada da tecnologia 5G de redes móveis tornará a , mais estável e com latência (o tempo entre o seu comando na tela e a resposta da rede) muito menor em rela??o ao 4G. Essas características tornar?o viáveis a conex?o n?o apenas da TV, mas também de outros eletrodomésticos e até mesmo dos carros – a tal Internet das Coisas.

 

彩民彩票平台A implanta??o do 5G ainda engatinha. Já há celulares com processadores capazes de suportar essa nova tecnologia, mas s?o poucos os modelos e poucos os países com infraestrutura de rede disponível. No Brasil, o leil?o das bandas em que vai operar está marcado para 2020. Enquanto isso, a Samsung alega já estar pensando na 6a gera??o lá em 2029!

Entre 2010 e 2020, o modelo de negócio que prevaleceu foi o SVoD (subscription video on demand), com predominancia para Netflix e Amazon (nos Estados Unidos). Nos próximos dez anos, também devemos nos acostumar com o chamado (advertising- video on demand ou AVOD), com Amazon, Apple, Disney e as ligas esportivas como potenciais “vencedores”. Portanto podemos esperar mudan?as significativas nas aloca??es de verbas publicitárias, sendo a TV aberta (linear) uma das mais impactadas.

O que isto significa par ao seu negócio ??

O negócio do OTT é gigantesco e global; n?o tem como as TVs locais competirem, usando velhas fórmulas. Há de se pensar de forma completamente nova para este novo mundo. E, sim, a publicidade dentro do streaming está no horizonte próximo. Quem conseguirá entregar esporte, música e jogos em um mesmo pacote?

彩民彩票平台Apple e Amazon, por exemplo, já oferecem servi?os de games, filmes, séries, esportes e música. O Google e a Disney aparecem logo atrás, deixando a desejar nos quesitos esportes e games e música, respectivamente. O Facebook também n?o oferece games e música, enquanto a Netflix n?o tem nada disso.

Se a TV vai virar software, os canais de TV ser?o transformados em aplicativos. Os modelos que ir?o prevalecer s?o por assinatura, à la carte ou com publicidade. E o conteúdo local e os esportes s?o as últimas fronteiras a serem conquistadas.

彩民彩票平台Em muito pouco tempo, você terá total controle da sua TV. E você n?o perde por esperar.

(*) Omarson Costa atua como Conselheiro de Administra??o, com forma??o em Análise de Sistemas e Marketing, tem MBA e especializa??o em Direito em Telecomunica??es. Em sua carreira, registra passagens em empresas de telecom, meios de pagamento e Internet

Acompanhe meus outros artigos no meu blog – Blog do Omarson: Este artigo representa minhas opini?es pessoais. Toda crítica é bem-vinda desde que seja feita com o merecido respeito.